
Sabe bem o calor do teu abraço
O teu olhar terno com gosto a cansaço
E o teu sorriso colorido de Outono
Sabe bem, no meu ombro, a tua mão
O nosso silêncio feito segredo e mansidão
E o natural desejo d’amor com cor de Outono.
Sabe bem ver-te olhar no espelho
E dizer, baixinho: - Sabes, estou velho!
Enquanto se soltam duas lágrimas atrevidas
Que anunciam o Outono das nossas vidas.
Sabe bem a tua alegria ao entardecer
Quando vês os netos, para nós, correr
E queremos, então, guardar este tempo fugaz sem dono
Num Verão eterno, que rejeita ser Outono.
Maria de Lurdes dos Anjos
