quarta-feira, 1 de outubro de 2008


Sabe bem o calor do teu abraço
O teu olhar terno com gosto a cansaço
E o teu sorriso colorido de Outono

Sabe bem, no meu ombro, a tua mão
O nosso silêncio feito segredo e mansidão
E o natural desejo d’amor com cor de Outono.

Sabe bem ver-te olhar no espelho
E dizer, baixinho: - Sabes, estou velho!
Enquanto se soltam duas lágrimas atrevidas
Que anunciam o Outono das nossas vidas.

Sabe bem a tua alegria ao entardecer
Quando vês os netos, para nós, correr
E queremos, então, guardar este tempo fugaz sem dono
Num Verão eterno, que rejeita ser Outono.



Maria de Lurdes dos Anjos