
Desde a minha meia dúzia
que larguei a bonecada
entre a escola e a casa da tia,
era o fim da macacada.
De manhã era estudar,
depois do almoço os T.P.C,
Só depois a brincadeira
e era quase a tarde inteira...
Tarde inteira às "cassadinhas",
escondidas, sameira, "patela", pião,
tempo ainda para cordas, elástico, futebol,
"Mata", Iô-iô e camalião
havia tempo para todo o rol...
Rol de brincadeira sem brinquedo,
tanta hora de alegria,
sem mago, sem segredo,
mas sempre muita magia...
Magia até no pneu
com um pau de cada lado,
muita rua ele desceu,
até ficar esborrachado...
Esborrachada é que eu não ía,
até ao rio com minha tia,
mortinha por lá chegar
nem lembrava de calçar.
Qual pedra qual quê,
qual asfalto a queimar,
nem que fosse a correr,
eu queria era lá chegar...
Chegar lá para brincar
com a água sempre a correr,
tinha sempre que inventar,
antes do anoitecer...
Ao anoitecer acabava,
o mundo de fantasia,
não sabia a quase nada,
tudo o que se passava de dia.
Muitas negras, muitas feridas,
muitas medalhas herdei,
mas este mundo da minha infância,
jamais esquecerei!